
Desde o instante em que uma mulher se torna mãe, ela é, frequentemente, rotulada com o selo da “fortaleza”. Expressões como “Que coragem!”, “Como consegue dar conta de tudo?” e “Quanta paciência!” são comuns, especialmente se tem mais de um filho.
Mas o que realmente define uma mãe forte? É a capacidade de suportar tudo em silêncio, ou a bravura de reconhecer e comunicar seus limites?
A imagem idealizada da mãe forte é aquela mulher multitarefa que enfrenta noites insones, permanece disponível 24 horas por dia e não se permite reclamar, muitas vezes sozinha. Será que essa definição corresponde à realidade?
Na verdade, a verdadeira força de uma mãe reside na sua capacidade de pedir ajuda, de compreender que a criação e a formação integral de um ser humano exigem uma rede de apoio e, fundamentalmente, na percepção de que a vulnerabilidade não é sinônimo de fraqueza.
Mãe forte é aquela que entende que, para amar e cuidar do outro, é preciso primeiro permitir-se ser amada, cuidada e estar bem consigo mesma. É aquela que estabelece limites e ensina seus filhos, por meio de seu próprio exemplo, o respeito ao seu corpo, ao seu tempo e às suas necessidades. Ela vive a maternidade como uma escolha consciente e responsável, comprometida com o amor em sua essência.
Ao longo de mais de 20 anos, acompanhando, formando e sendo mãe, cheguei à convicção de que é imperativo descer do pedestal da “supermãe ideal” e pisar no solo firme da mãe humana. Esta é uma criatura, filha amada de Deus, que, apesar do medo, da insegurança, do cansaço e das dúvidas que a cercam, escolhe, a cada dia, o caminho do afeto, do aprendizado e da luta constante. Ser forte é ter a coragem de ser real.
Recordo-me do nascimento do meu primeiro filho: com ele nos braços, logo após o parto, sentindo dor e a sensação de estar perdida enquanto aprendia a amamentar, pensei: “Nossa! Não é como nas propagandas de algodão ou lencinho umedecido… está doendo. O que farei agora? Eu darei conta?”
Pensei em outras mães, conversei, e, assim, fui descobrindo que a maternidade é uma construção contínua, uma decisão consciente, uma escolha diária diante das inúmeras possibilidades e oportunidades que se abrem para crescer, amadurecer e amar.
Ao nos tornarmos mães, recebemos de Deus a força e a graça de que necessitamos. Que possamos sempre nos enxergar — mães — com esse olhar de humildade, luta, gratidão e esperança, tendo Nossa Senhora como nosso maior modelo: uma mulher que viveu intensamente a maternidade real, permanecendo firme e constante nas alegrias, tristezas e incertezas que fazem parte da nossa jornada.
Maria Augusta (Guta) Lara Meneghelo (Coordenadora Pedagógica do Ensino Fundamental I Nautas e Nautilus 2026)