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A infância é uma época de ouro para adquirir habilidades e cultivar gostos. Por isso, não é incomum que os pais, na melhor das intenções, tenham uma verdadeira “febre da matrícula”: natação, judô, xadrez, hipismo, esgrima, aulas de idiomas e instrumentos musicais, o que for… Porém, cabe restaurar um tempo importantíssimo para o bom desenvolvimento na infância (e, na verdade, até na vida adulta): o ócio criativo.

O ócio, por si mesmo, é neutro: pode ser bom ou ruim. De fato, pode se converter num tempo de preguiça (e, como diz o adágio, “cabeça vazia, oficina do…”). Preguiça, no caso, é não querer fazer o que se deve, ou empregar mal o seu tempo.

No outro extremo da balança, o ritmo acelerado da vida produtiva adulta pode fazer parecer que a vida das crianças também deveria estar compartimentalizada na agenda, saltando de compromisso em compromisso, sem tempo entre as atividades.

Porém, existe, como dito, o ócio criativo: não é um tempo de “fazer nada”, de indolência, mas de pensar, imaginar, observar, criar, construir. É aquele tempo vazio, aquela janela, onde nada acontece, e, por isso mesmo, é preciso fazer acontecer.

Nada de estímulos: fora com videogames, telas, luzinhas brilhantes e distrações. Agora é a hora em que um cabo de vassoura pode ser um cajado, uma vara de pesca, uma espada, uma espingarda, um cavalo… e talvez mais coisas do que conseguimos enunciar aqui. É hora de testar teorias, inaugurar projetos mirabolantes ou simplesmente olhar as nuvens, a natureza, e maravilhar-se com o mundo.

A habilidade de lidar com o tempo livre, com o tédio, de canalizar sua criatividade e habilidades para criar, é fundamental, e ainda mais na era da pressa e das telas. É preciso desacelerar e parar um pouco, e deixar que a vida aconteça – a vida que acontece nos entremeios.

Esse tempo, além de propiciar criatividade, imaginação, descanso, contemplação, também é excelente para o autoconhecimento e para formar uma ideia madura de si mesmo. As famílias, para proporcionar essa experiência aos filhos, também são convidadas a aprender a desfrutar desse tipo de momento.

Prof. Luís Henrique Toniolo Serediuk Silva (PEC do 3º Ano 2026)