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Na unidade dos meninos, há uma frase que resume o nosso projeto educativo com os alunos: “No Nautilus somos todos cavalheiros.” Esse lema singelo oculta uma empreitada um tanto ambiciosa, pois “cavalheiro” pode parecer uma palavra arcaica, sem significado, ou, pelo menos, fora de contexto. Isso não seria como querer restaurar os romances de cavalaria após Dom Quixote?

“Cavalheiro”, porém, é um conceito central que pode preencher o vácuo da educação de meninos na nossa época. Os antigos modelos de masculinidade foram todos descartados, mas não se apresentou nenhum modelo novo para substituí-los. Muito se fala (e às vezes com razão) de masculinidade tóxica, daquilo que o homem não deve ser. Não deve ser um “ogro”, não deve se deixar dominar pela sua raiva e agressividade. Mas não se fala o que ele deve ser, se é para ser um homem de verdade, um homem feliz e realizado enquanto homem.

Descartar os modelos “tradicionais” de masculinidade (o pai de família, o provedor, o marido diligente) sem substituí-los por nada é uma ilusão: os meninos querem ser homens, e depende de nós dizer que tipo de homens eles serão com as escolhas que tomam desde a tenra infância, desde agora. Se não lhes damos as diretrizes e o exemplo, eles absorverão aquilo que veem de qualquer fonte: nos videogames, nos filmes, em amigos, ou até em lugares mais nefastos.

Toda criança nasce com um oceano de boas e más inclinações, e parte fundamental da educação é ensinar até que ponto esses afetos são bons ou prejudiciais. Esse perfil de uma força bem direcionada e utilizada para servir aos demais, de autocontrole, de ser capaz de se sacrificar por seus ideais nobres, é, entre outras coisas, o que define um cavalheiro. Poderíamos incluir também o bom gosto no jeito de se vestir, a sobriedade e cuidado com seus pertences, o jeito aprazível de conversar e tantas outras características.

Além disso, cavalheiro é o único que sabe tratar as moças e mulheres como merecem e como realmente querem ser tratadas: como damas. Num mundo em que as relações se veem cada vez mais despersonalizadas (o outro se torna mero objeto, e depois talvez até um obstáculo a ser descartado), essa é uma chave para relacionamentos duradouros e famílias saudáveis.

Nenhum menino nasce um cavalheiro, mas que precisa ser ensinado, e esse caminho não é trilhado sozinho. O bom exemplo da família, dos seus colegas e professores, nessa “comunidade de cavalheiros”, é como um solo fértil para que possa fazer germinar essa rara semente. E até a força mais bruta pode ser convertida em boa força: nos dizeres de Leonard Sax em sua obra Por que o gênero importa, “Não dá para transformar um valentão numa criança boazinha. Mas dá para transformar o valentão num cavalheiro.” Portanto, a escolha por sermos cavalheiros não é assim tão idealista. Ou melhor, é sim, um ideal, e um ideal grande, mas belo e que vale a pena.

Prof. Luís Henrique Toniolo Serediuk (PEC do 3º Ano 2025)