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As férias estão chegando, e com elas o tão ansiado e merecido descanso. Mas você sabia que é preciso aprender a descansar?

A nossa cultura incentiva o ócio, a distração e o consumo, e assim o tempo livre pode se tornar um tempo de marajá, de autoindulgência, simplesmente um tempo “sem fazer nada”, jogado fora.

Mas esse tempo de descanso também pode ter um aspecto positivo e formativo. Como dizia Josemaría Escrivá, “o descanso não é não fazer nada; é distrair-se em atividades que exigem menos esforço” (Caminho, n. 357).

Assim, o trabalho é a razão de ser do descanso, e não vice-versa: uma pessoa descansa para poder trabalhar melhor. Nesse sentido, trabalho e descanso são duas faces da mesma moeda, a mesma unidade de vida que devemos ter se queremos nos tornar pessoas realizadas, melhores.

A boa diversão é necessária (até obrigatória) para uma vida saudável, e por isso o tempo livre tem uma missão de desenvolvimento, de verdadeira formação nas virtudes. Além disso, é a melhor vacina contra o tédio – o pior inimigo das férias!

Por isso, existe uma verdadeira educação para o descanso, para o bom aproveitamento do tempo livre. E você, pai, tem esse papel de educador – e, muitas vezes, também de aprendiz.

a) Educar pelo exemplo

O seu filho aprenderá a descansar com o seu exemplo. Se o seu jeito de descansar envolve levar a mão no bolso em qualquer segundo livre para navegar sem rumo na internet, é isso que ele aprenderá. De nada adiantará elogiar a temperança, a prudência e o comedimento no uso de telas…

Não adianta também dar discurso sobre esporte sem praticá-lo! Nem sobre livros e estudos se isso não faz parte da cultura da família. A paternidade é um constante chamado à coerência e ao bom exemplo.

b) Tempo de convivência

A família como um todo também ensina a aproveitar o descanso vivendo juntos, numa atitude aberta e generosa, e não simplesmente como estranhos que compartilham o mesmo teto.

Vamos pensar: o que faz com que a sua casa seja um lar e não uma pensão? Numa pensão, cada um faz o que gosta (geralmente nas telas) no próprio quarto e se achega no “refeitório” para uma breve refeição.

Num lar, ao contrário, as horas juntos são de uma conversa atenta, amigável, sem deixar que “intrusos digitais” venham compartilhar a mesa (mesmo em restaurantes e shoppings) nem que os quartos se tornem refúgios do egoísmo.

Uma dica é organizar convivências entre famílias amigas: pensando no bem estar de todos (pais e crianças), e não num tempo de autoindulgência. É um tempo de aprender a recuperar as energias em família, de forma que um descanse com os outros, e não dos outros, e fortalecendo o vínculo familiar.

c) Menos é mais

Os momentos de lazer podem ser também oportunidade de dar asas à imaginação e à criatividade. A boa diversão não depende um brinquedo caro ou uma atividade extravagante.

Muitas vezes, um projeto como construir uma pipa, fazer um mapa do tesouro, um arco e flecha, algo de carpintaria, pode ser um meio de adquirir e desenvolver muitas habilidades, e tudo isso ajudando a viver a virtude do desprendimento.

d) Hobbies e talentos

As férias também podem ser um período muito rico para fomentar valores humanos nobres: o gosto pela leitura, o esporte, passeios culturais ou ao ar livre, idas ao teatro, bons filmes, atividades artísticas etc.

Também é um tempo para descobrir e aprofundar talentos ou hobbies saudáveis, como coleções (selos, insetos, rochas, moedas), aeromodelismo; montar rádios e dispositivos elétricos, jardinagem, praticar artes marciais ou aprender instrumentos musicais.

e) Saber planejar

Deixar o tempo livre ao acaso equivale a tédio ou confusão! Por isso, vale fazer planos com a participação ativa dos filhos. Por outro lado, é necessário ter equilíbrio: não ter agenda “lotada”.

Vale incentivar que os filhos façam um “planejamento de férias”, uma lista de coisas que ele quer fazer e uma lista de coisas que precisa fazer. Querer ir ao cinema é diferente de precisar fazer uma limpa no guarda-roupa ou nos brinquedos velhos.

f) Encargos da casa

Um bom momento para conviver com os pais e outros membros da família também é durante o cumprimento de algum encargo da casa, colaborando ativamente segundo as suas capacidades. Por exemplo: consertar uma bicicleta, lavar o carro, organizar a caixa de ferramentas etc.

Sentir-se útil e ser útil dentro das suas habilidades ensina responsabilidade e alimenta uma boa autoestima dentro da família.

g) Atenção aos eixos da educação integral

Também é bom equilibrar os eixos de desenvolvimento da pessoa: intelectual, físico, afetivo, social e transcendente, de tal modo que as atividades propostas alcancem toda essa gama de valores, sem favorecer um em detrimento de outro.

h) Compartilhar experiências com os outros pais da turma

Por último, não é preciso quebrar a cabeça sozinho. Para isso, nossa escola conta com uma comunidade de pais presentes e protagonistas, que podem compartilhar suas experiências e se ajudar nessa tarefa de educar para o descanso.

Bom, já chega de ler sobre as férias: agora é a hora de aproveitá-las! Eu também me despeço, pois professor também precisa de férias. E como…

Prof. Luís Henrique Toniolo Serediuk (PEC do 3º Ano 2025)